Carne bovina brasileira pode ficar até dois anos fora do mercado da União Europeia

A carne bovina brasileira pode permanecer fora do mercado da União Europeia por até dois anos, segundo uma estimativa apresentada nesta semana por Eric Thévenard, responsável pelas auditorias sanitárias da autoridade europeia. A previsão está relacionada ao tempo necessário para comprovar, ao longo de toda a cadeia produtiva, que os animais atendem às exigências sanitárias do bloco.

A União Europeia suspendeu, em 3 de setembro, a entrada de produtos de origem animal brasileiros, incluindo carne bovina, após questionamentos sobre os controles adotados no país em relação ao uso de determinados antimicrobianos e medicamentos na produção pecuária.

No caso da bovinocultura, a principal dificuldade está na necessidade de acompanhar o animal desde o nascimento até o abate. Como esse ciclo pode durar aproximadamente dois anos, a comprovação de conformidade não ocorre de forma imediata.

A situação preocupa o setor porque o mercado europeu representa uma parcela relevante das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, o Brasil vendeu aproximadamente US$ 1,049 bilhão do produto para a União Europeia.

Brasil busca adequar controles

Diante das exigências europeias, o Ministério da Agricultura e Pecuária adotou novas medidas relacionadas ao controle de medicamentos e à rastreabilidade dos animais destinados à exportação.

Entre as mudanças estão procedimentos para identificação de substâncias proibidas, monitoramento de possíveis irregularidades e bloqueio de lotes que apresentem problemas de conformidade.

Também foram estabelecidos protocolos de controle envolvendo propriedades rurais e frigoríficos habilitados a atender o mercado europeu. A expectativa brasileira é demonstrar aos técnicos europeus que os mecanismos de fiscalização são capazes de garantir o cumprimento das regras exigidas pelo bloco.

Uma auditoria presencial da União Europeia na cadeia da carne bovina ainda é aguardada.

Frango e mel têm avaliação diferente

A suspensão também atingiu outros produtos de origem animal, mas a situação não é igual para todas as cadeias.

Auditorias realizadas recentemente sobre a produção brasileira de aves e mel tiveram avaliação positiva quanto aos controles relacionados ao uso de determinados antimicrobianos. Mesmo assim, a análise favorável não significa retomada automática das vendas.

Para voltar a exportar, o Brasil ainda precisa ser novamente incluído na relação de países autorizados pela União Europeia.

No caso da carne bovina, o processo tende a ser mais longo justamente pela necessidade de demonstrar que o controle sanitário foi mantido durante todo o ciclo de vida dos animais.

Enquanto as negociações continuam, autoridades brasileiras trabalham para atender às exigências europeias e recuperar o acesso ao mercado, sem que haja, até o momento, uma data definitiva para a retomada das exportações de carne bovina.

Gessica Vieira

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