Cacau avança sobre áreas degradadas e amplia fronteira produtiva na Amazônia
O cultivo de cacau vem ganhando espaço sobre áreas anteriormente utilizadas como pastagens na Amazônia e abrindo uma nova frente para a produção agrícola na região. Um levantamento da Embrapa identificou cerca de 121 mil hectares plantados com a cultura nos estados do Pará e de Rondônia, indicando que a expansão ocorre principalmente em áreas que já haviam sido alteradas.
O estudo analisou a distribuição territorial das lavouras e cruzou informações de monitoramento ambiental para avaliar a relação entre a expansão do cacau e o uso anterior das terras. No Pará, os dados foram atualizados para 2024, enquanto Rondônia passou a contar com uma base territorial específica sobre a atividade.
Os resultados apontam que o avanço dos cacaueiros não ocorre predominantemente sobre áreas de floresta nativa. No Pará, 96% das áreas identificadas com cultivo de cacau já haviam sido desflorestadas antes de 2020. Em Rondônia, o índice chega a 98%, segundo o levantamento.
Produção e recuperação de áreas
A utilização de áreas já modificadas coloca o cacau entre as alternativas para transformar terras de baixa produtividade em espaços de produção agrícola. Sistemas agroflorestais, que combinam o cultivo do cacaueiro com outras espécies vegetais, também podem contribuir para a recuperação produtiva dessas áreas.
Dados mais recentes do TerraClass, projeto desenvolvido por Embrapa e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que as culturas perenes na Amazônia — grupo que inclui o cacau — passaram de 3.903 quilômetros quadrados em 2022 para 4.824 quilômetros quadrados em 2024, crescimento de 23,6%.
No mesmo período, as pastagens continuaram representando a maior parcela das áreas antropizadas no bioma, correspondendo a 66% desse conjunto em 2024. O cenário ajuda a explicar o potencial de sistemas produtivos capazes de utilizar terras já abertas, reduzindo a necessidade de expansão sobre áreas de vegetação nativa.
Pará e Rondônia ganham espaço na cacauicultura
O levantamento da Embrapa também mostra a importância crescente do Norte na produção brasileira de cacau. Segundo dados do IBGE apresentados pela instituição, a região responde por aproximadamente metade da produção nacional, com cerca de 148 mil toneladas diante de uma produção brasileira próxima de 297 mil toneladas.
Além da geração de renda, a cultura tem sido associada a iniciativas de recuperação de áreas alteradas. Projetos de sistemas agroflorestais desenvolvidos na Amazônia buscam combinar produção agrícola, assistência técnica e recuperação ambiental, inclusive em propriedades da agricultura familiar.
A expansão, no entanto, depende de manejo adequado, assistência técnica, investimentos e rastreabilidade. O crescimento do mercado também aumenta a necessidade de garantir que novas áreas de produção estejam em conformidade com as regras ambientais e não resultem em pressão adicional sobre a floresta.
Com a disponibilidade de pastagens e outras áreas já modificadas, o cacau passa a ocupar espaço em uma estratégia que combina produção agrícola e recuperação de terras. O avanço da cultura na Amazônia, especialmente no Pará e em Rondônia, coloca a região no centro de uma nova etapa da cadeia produtiva brasileira do cacau.

