Tarifaço dos EUA Expõe Fragilidade Diplomática e Pressiona o Produtor Brasileiro
Por Maycon Tombini
A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, como o aço semiacabado, já começou a impactar a economia do agronegócio e da indústria nacional. Em vez de respostas diplomáticas firmes e articuladas, o que se vê é um discurso político carregado de retórica e desconectado das consequências práticas para o setor produtivo.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende em palanques o que chama de “soberania nacional”, os efeitos dessa postura política já são sentidos nas áreas rurais e nos polos industriais do país. A conta do confronto retórico está chegando primeiro para quem depende da abertura de mercados e da previsibilidade nas relações internacionais: o produtor rural.
Com margens espremidas pela elevação dos custos e agora pela ameaça direta às exportações, agricultores e empresários já cortam investimentos. O impacto imediato inclui a revisão de contratos, queda no ritmo de embarques e aumento da incerteza nos planejamentos de médio prazo. Indústrias de base agrícola também sentem os reflexos, com redução de encomendas e insegurança quanto à manutenção de mercados estratégicos.
Mais do que uma disputa política, o tarifaço americano revela uma falha grave de estratégia internacional. A ausência de uma política comercial madura, capaz de dialogar com parceiros estratégicos sem abrir mão de princípios, compromete diretamente a competitividade brasileira. O atual distanciamento entre o discurso ideológico e a prática diplomática cobra um preço alto da economia real.
Se nenhuma medida republicana e efetiva for tomada — com protagonismo do Itamaraty, diálogo institucional e construção de pontes diplomáticas —, o país corre o risco de ver sua base econômica sofrer danos ainda mais profundos. O setor produtivo, que responde por mais de 25% do PIB e grande parte do superávit comercial, não pode continuar arcando com os custos de decisões políticas que não levam em conta suas necessidades.
O enfraquecimento do Brasil no comércio internacional não será revertido com frases de efeito ou embates públicos. O que está em jogo é a estabilidade de cadeias produtivas inteiras, milhares de empregos e a permanência do país como um fornecedor confiável no mercado global.
Garantir a soberania, nesse contexto, não é inflamar discursos — é preservar a prosperidade interna com responsabilidade externa. E isso só se faz com diplomacia, diálogo e compromisso com o futuro.

